Numa dessas assembleias da nossa rotina, um item da pauta foi adicionado a pedido de um condômino que tinha interesse na aprovação da matéria que tratava de alteração na área comum. Mas o item não foi deliberado na reunião. A questão não era nada de outro mundo e, no meu entender, de fácil aceitação e aprovação. Ocorre que no momento da votação eu contribuí com algumas colocações pertinentes de forma a resguardar os interesses do condomínio. O resultado disso foi o consenso do plenário de que, como houve mudanças importantes de interesse comum, o assunto não fosse deliberado naquela ocasião para que o solicitante da matéria pudesse avaliar melhor se estaria de acordo com as mudanças sugeridas e que este item constasse na próxima assembleia.

Dias depois o condômino me abordou para conversarmos sobre a situação colocada. Depois de vários debates e cada um de nós colocando pontos de vista interessantes, e até estava indo bacana a discussão, uma frase disparada pelo condômino, em tom de voz mais elevado, me chamou a atenção:

“ – Olha só, eu sei que você tem uma série de coisas a serem aprovadas que dependem do meu voto e que algumas precisam de unanimidade. Se eu não conseguir aprovar a matéria do meu jeito, eu posso simplesmente votar contra a todas as matérias que você colocar em pauta daqui para frente. ”

Respirei fundo... e... suavemente disse:

“ – Meu amigo, coloquei sua matéria na pauta da assembleia anterior porque achei pertinente seu pedido e continuo achando. Não foi porque desejava agradá-lo para ter o seu voto em outras matérias relevantes para o seu condomínio. O seu voto deve ser dado conforme sua consciência. Se sua matéria for aprovada do “seu jeito”, eu não espero nenhum tipo de retribuição, mesmo porque não se trata de um interesse unilateral meu ou seu, e sim de todos. Quero que nessa hora pense no bem comum de todos do seu condomínio. Eu trabalho assim! ”

Não vou alongar no diálogo, mas ele me chama a atenção em alguns aspectos que os síndicos precisam ficar muito atentos:

1.A INTIMIDAÇÃO

Em hipótese alguma o Síndico pode se deixar intimidado. Este tipo de situação ocorrerá sempre se o Síndico permitir que isto aconteça pela primeira vez. Portanto, ao perceber este tipo de agressividade, use de estratégia emocional e coloque-o no lugar dele sempre com um diálogo franco, direto e sem grosserias. Mas atue com firmeza.

2.A TROCA DE FAVORES

Muito cuidado nesta hora. Porque muito dos moradores tentarão manter este padrão de relacionamento. Muitas vezes você não vai perceber, mas outras vezes serão bem explícitos como ocorreu no relato acima. Não caia nesta armadilha, mas esteja preparado para retaliações. Isto é comum, porque este tipo de gente quando não consegue o que quer vai trabalhar denegrindo sua imagem e seu trabalho pelos corredores, entre os funcionários, e principalmente entre aqueles que não frequentam as assembleias. Portanto, tenha uma via de comunicação eficiente de forma a deixar todas as situações internas do condomínio bem esclarecidas.

3.O DETRIMENTO DO INTERESSE COMUM

Mesmo com as atuais mudanças de sentimento e comportamento em nosso País, ainda existem pessoas que não tem interesse nenhum em seguir padrões de honestidade, ética e coletividade. Estes tipos de pessoas só irão se preocupar consigo mesmas e geralmente elas se revelam sempre atrapalhando as matérias das assembleias e discussões produtivas. Muito cuidado com elas, a estratégia é observar todos os seus movimentos e antecipar possíveis situações.

Costumo dizer que as pessoas com os mais diversos interesses escusos rondam o caminho do Síndico, por isso o Síndico precisa ser cada vez mais ético, honesto, justo e imparcial.

Luis Henrique Borges
Administradora Ideal

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